quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009
sábado, 31 de Janeiro de 2009
BIFE MAL PASSADO
Apetece-me falar dos turistas, mas só me vêm insultos coloridos à cabeça. São esses filhos da puta a causa principal do progressivo desaparecimento de uma coisa que sempre me interessou nas cidades e que, de certa forma, nos caracteriza enquanto gente do sul: o tasquedo.
Conscientes da importância que a turistada tem para as economias nacionais dos países ibéricos, os bifes puxam os cordelinhos desde Bruxelas, para que se sintam mais seguros sempre que se arrisquem a comer por cá. Essa corja de ignorantes, cevada a peixe e batata frita, exige o azeitinho em garrafas devidamente seladas e a informação nutricional pertinente claramente expressa no rótulo. Provavelmente, nem sabem o que é azeite, mas acham-se no direito de nos darem lições a esse respeito, a nós que fabricamos e comemos azeite há milhares de anos. Também querem implantar algo da limpeza de um tugúrio de York, para que as tascas não choquem os pruridos higienistas dos súbtidos de Sua Majestade, com a sua sujidade aleatória. Merda, só a do país deles, que é a regulamentar. Só assim, a bifalhada se sente em forma para dar cabo de bares e discotecas, mijar nos portais dos prédios, vomitar nas esquinas, enfim, pintar a manta durante umas tranquilas férias no Levante, ou no Algarve. Perdão - Allgarve.
quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
MONTOTO
segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
sábado, 24 de Janeiro de 2009
NA VOLTA DO CORREIO
Há uma tempestade lá fora, avisos vermelhos à população e toda a parafernália, e sabe bem estar na sala, ouvindo as persianas agitando-se sob as estocadas do vento furibundo. Em cima do outro sofá, está uma pilha de revistas aguardando leitura próxima. Entre elas está a LER deste mês, dedicada à criptográfica Agustina, que a mãezinha me enviou. É uma delícia receber revistas pelo correio. Dizê-lo é bonito. Traz prazer à solidão e confere valor à triste correspondência bancária/tributária que todos os dias extraio da cinzenta caixa. Ainda que sejam as troadas sânscritas da nossa sibila, é um pouco do mundo, do ar dos dias que vem até nós. Neste caso, também é a invocação da mamã que se dá ao trabalho de ir aos correios e espraiar a sua bela caligrafia na face do envelope, que intrépitos carteiros de Portugal e do Reino de Leão e Castela trarão até ao meu exílio asturiano. Em tempos tão amigos do ruído, do estrépito e do movimento inútil, estas coisas dão um gosto diferente ao quotidiano. Antes, recebia cartas a rodos, todas de solícitas amigas, que me proporcionaram as primeiras alegrias postais. Com o advento do email, nunca mais recebi uma carta. Se disso dependesse a minha vida sentimental, estaria bem fodido. A morte da carta, do papel, do "Cara Maria Eduarda", etc., também significa a extinção de um pretexto para se escrever bem, enfim, mimar a língua. Nem falo da abjecção que são as caligrafias que por aí se vêm, caracterizadas por uma uniformização de estilos quase orwelliana. A caligrafia merece um texto àparte, mas adianto já que é uma filha da putice o que estão a fazer ao ensino da caligrafia manuscrita. Tudo isto para dizer que, como ao coronel do Márquez, já ninguém me escreve. Pior. Quando o fazem, dou por mim desejando que o não tivessem feito, tal é a qualidade da prosa que me dedicam. Claro, há honrosas excepções - não quero ser sacana para essas pessoas; eles e elas sabem quem são. Para vocês, há sempre um postal na volta do correio. Os outros que façam por merecê-lo.
sábado, 17 de Janeiro de 2009
INTERREGNO
Para a semana, estarei retirado num ermo alpino. À volta, espero trazer fotografias bonitas e alguma laracha que contar.
Bis später!
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